terça-feira, 30 de agosto de 2016

Coisas que lembrei e chorei

Apesar do título a la Paulo Coelho, não é tão trágico assim esse post. Talvez um draminha, quem sabe uma novela das oito, mas nada que seja de fato um grande problema. Esse filme não vale meu esforço em ser dramático. Ainda assim, em conversas, a maioria por causa do texto anterior, foram levantados alguns pontos importantes que eu gostaria de ressaltar, relembrar, elucidar. Avisando que tem spoilers, então vamos lá!



Nem sei porque estou rindo mas... deve ser muito engraçado!
- O Coringa de Leto possui um cacoete, um trejeito repetido quase à exaustão ao longo do filme que deveria ser sua marca registrada, porém também soa como um recurso mal usado para engrandecer sua "loucura". Foi o Cyan que levantou essa bola: o Coringa, sempre que entra em cena, ri. Ele simplesmente ri. Tudo bem que isso talvez seja uma boa execução da comparação do palhaço com a sua inspiração, O Homem que Ri, mas há algo de falso na forma como o Coringa de Leto tenta ser engraçado, assim como a Arlequina tenta ser "clever" (espertinha) com suas sacadas geniais. É como se, para justificar as ações em tela, eles PRECISASSEM demonstrar que são loucos. Eles não fazem só por fazer, aquilo precisa ser DITO, como o tempo todo os personagens ao redor chamando ela de doidinha e por aí vai. O Cyan ainda disse que acha o Coringa de Leto tenta fazer uma voz similar à de Ledger, mas eu discordo um pouco. Ele tem sim uma voz forçada, mas a dele soa mais como aqueles cafetões, os mafiosos de rua que tentam intimidar com suas vozes sedosas.

Ó ali a prova do crime... dezenas de armamentos e coisas perigosas... e roupinhas de bebê.
- Ainda falando desse casal, a Ann levantou algo assustador. Na cena em que o Coringa está deitado no meio das armas, uma das muitas sem sentido envolvendo ele, há um conjunto de tiptops no canto superior direito. Casalzinho, um azul e um rosa... e na visão da Harley perto do final do filme aparecem duas crianças, um menino e uma menina. Para deixar ainda mais clara a ligação, na HQ Injustice, baseada no jogo de videogame, a Arlequina TEVE uma menina com o Coringa, que ele não sabe e nem vai saber, já que ela percebeu como ele é ruim... Na opinião da Ana há uma mensagem nesses macacões e na visão da Harley: ela provavelmente engravidou e perdeu os bebês. Eu concordo, apesar de pensar que a Warner não é tão corajosa assim.

Ótima ideia para um primeiro encontro... terminar em um tonel de produtos químicos. Super romântico esse babaca.
- O que me leva ao terceiro e, prometo, último ponto envolvendo os dois. Estive pensando no universo cinematográfico da Warner e em sua visão do mundo de Super-heróis. Há pouca coragem, pouca fibra na criação desse mundo. Vejam o Harvey de Cavaleiro das Trevas, que se torna um vilão. Ele (desculpem o spoiler) morre. Pura e simples. POUCOS vilões da Warner vivem, a maioria morrendo no processo de se tornarem vilões. É mais fácil assim. Então, talvez, só talvez, a decisão covarde de não mostrar o relacionamento horrível entre a Harley e o Joker tenha sido por algo ainda pior: não terem colhões de mostrar uma relação abusiva de verdade nesse filme. Já repararam que o Gore de Esquadrão Suicida até que é bem leve? Várias das mortes não são mostradas de verdade, como a do Amarra. Boom! Explodiu pescoço, cabeça voou, corpo cai em um take rápido. E é isso. Sacaram? Talvez, e é uma dedução de parar para pensar nisso, o grande problema tenha sido... "será que não vamos inflamar nosso público se colocarmos isso?". Teria que haver discussão, teria claro um grande público que não conhece HQ's se sentindo enojado pelo relacionamento e talvez não tivesse uma recepção boa... além de ter que gastar ainda mais tempo nesse assunto.

Obrigada, papai! Agora eu sei estourar os miolos de gente na rua!
- Aliás, se é pra falar de assunto pesado, o que é a relação do Pistoleiro com a filha dele? Digo, o cara repreende o namorado da ex-esposa, que nem aparece, é todo carinhoso com a guria, e ainda tem um momento para dar aulas a ela de como acertar alguém na rua! Tudo bem, é cômico, QUASE fofo, mas estamos falando de uma criança aprendendo a ser assassina. Alguém lembra do Big Daddy e Hit Girl? Cara, se considerar que a Warner é covarde de acordo com meu item anterior, tem algo BEM errado nisso aí. Afinal, essa violência envolvendo pai e filha é de boa?

Moça, cê tem mais coragem que essa galera toda aqui atrás por me deixar com esse trambolho na mão!
- E falando de representação, já que o Will Smith é negro... eu posso estar enganado mas acho que não há um único diálogo entre o Pistoleiro e a Amanda Waller no filme em que o Flag não esteja presente. Entendo que eles poderiam ter medo por ela, já que ele é um criminoso mas... ora bolas, ela dá armas com munição de verdade pra ele no instante em que se conhecem e não está usando nem um colete a prova de balas! Por que diabos os dois não conversam, nem que seja pra ele xingar ela e ela responder com AQUELE olhar? (mais uma vez, Viola Davis é D.Va). Isso sem falar que a japonesa do filme possui menos falas que o Coringa, e isso que ela deveria ser uma das principais. Mas eu já reclamei que ela é quase inútil, então isso é chutar cachorro morto.

Foi pra ISSO que eu saí do Team Arrow? AFF!
- Pra fechar com chave de ouro esse já muito extenso texto, quero pedir um pouco de atenção para um problema sério da Warner com sua continuidade e universos paralelos. Mesmo que não se cruzem, as séries da Marvel, tanto as da TV por assinatura quanto as da Netflix são claramente do mesmo universo que os filmes. A destruição de Nova Iorque refletiu em parte delas e é citada várias vezes, e os eventos de Capitão América: Soldado Invernal desencadearam tramas em Agents of SHIELD. Qual o problema da Warner em aceitar que possam existir dois universos ou integrá-los em um só? Praticamente todos os personagens chave de Esquadrão Suicida tiveram seus personagens limados de Arrow e Flash. Pistoleiro? Morto. Arlequina? Sumiu. Amanda Waller? Morta. Katana? Desaparecida. Isso sem falar no Tubarão-Rei que foi substituído pelo Crocodilo. Eu nem espero ver o Bumerangue em Flash, considerando o do filme. A única exceção é, ahá, o Flash em si, que ganhou um novo intérprete com o Ezra Miller. Ou seja, os vilões não podem existir nos dois universos, mas os heróis sim. Não entendo essa lógica. Claro, não que eu tenha lido nada oficial que corrobore com essa versão dos fatos, MÃS... não dá pra fingir que não acontece isso. E com o destino da Canário Negro, muito se especula sobre um filme das Aves de Rapina...
Enfim, foi mais um texto ENORME falando desse filme, mas foram tantas coisas discutidas com outros que eu quis trazer pra cá. Espero não ter esquecido de citar ninguém que me inspirou, mas se eu tiver feito, por favor, se revele. Agradecerei imensamente e vou me retratar aqui. Valeu e até!

Nenhum comentário:

Postar um comentário