terça-feira, 16 de maio de 2017

Terça Insone

Quero tentar, pelo menos mais uma vez, trazer um pouco de material inédito pra cá e lançar alguns programas semanais. Espero conseguir manter. Para hoje tenho a Terça Insone. Normalmente pode vir nesse horário da noite, ás vezes pela manhã e alguns dias, com sorte, antes de virar quarta. Poesias, poemas, algumas coisas, música se eu conseguir compor. A meta é que a Terça Insone seja meu canto de descarrego, quando as palavras saem do coração e vem como torrente pra cá. Hoje... sejam brindados com uma dose de melancolia.

Tudo bem, eu sei
Não pagamos por essa festa
Entramos por uma porta há eras
E assim, do nada
Fomos ficando, só embalando
Quando vimos não eramos mais
Viemos amigos,
Um par, meio assim, meio não
Rindo juntos, irmãos de sangue
Agora somos
Desconhecidos, talvez
Quem sabe ainda possamos sair
Você e eu
Se nos esbarrarmos
Entre Deep Purple e Bon Jovi
No meio da sala, lotada de gente
E nos reconhecermos
Será que você vai lembrar
Da nesga de um sorriso que eu dei
Quando nos olhamos pela última vez?

terça-feira, 18 de abril de 2017

Frustração

É uma coisa engraçada
Que logo aquilo que lhe aquece o coração
Possa também congelá-lo
Frustrar-se é uma arte
Pois é feito com amor
Dedicação e muito empenho
Querer tanto algo
Que você morre ao não tê-lo
Obrigado pela frustração
Lembrar-me de que não é só por desejar
Que o inferno vai congelar

domingo, 5 de fevereiro de 2017

1º Corujandross e a experiência de sobreviver de energético

Acabei de acordar e comer alguma coisa e agora acho que meu coquetel de remédios já me fez parar de sentir dor e tontura. Fiz uma experiência inédita na noite passada e acabei dormindo só depois das sete da manhã. Ontem, dia 4, eu participei do Corujandross, um projeto idealizado pelo Edson Rossatto, editor-chefe da editora Andross que consistia em reunir o maior número de escritores que pudesse, que já trabalharam com a Andross ou não, e juntos irmos escrevendo em intervalos durante a madrugada. Das 22h às 6h da matina.

Parece punk pra muita gente, mas considerando quantas vezes eu varei a noite jogando RPG ou vendo séries, eu achei que seria de boa. Ledo engano. Estou mais velho, com uma loja que consome muito do meu tempo e energias e também com uma rotina que me quebrou a resistência. As primeiras duas horas foram punks, e quase apaguei por volta das 2h30 da madrugada. E aí... aí meu mundo se abriu numa garrafa de energético.

Não que a bebida tenha sido a única coisa a me manter acordado. O projeto começou com uma hora de dicussão na qual os escritores poderiam trocar ideias, se cadastrarem, conversarem com os organizadores das antologias e prepararem material. Coisas que normalmente não faço, mas haviam regras. Eram simples: Qualquer um poderia participar, deveria respeitar os horários, entrar no grupo de Whats, escrever quanto conseguisse, mandar o texto bruto até as 6h30 do dia 5 pro Edson pra receber um certificado e, acima de tudo, se divertir. Admito, desrespeitei algumas delas... por uma boa causa.

Pra começar que durante a primeira hora eu surtei e minha janta atrasou. Acabei partindo pra escrita com dez minutos do relógio e contando. Por sorte eu já tinha principiado o texto e, pra minha surpresa, feito um esqueleto do que eu queria. Ponto pra preparação do Batman! Do primeiro eu engatei em um segundo quase sem respirar. Parei só quando bateu a hora. Como o Edson pediu, deixei o Word pra lá e voltei pro grupo. Precisava organizar as ideias. Quase acabando a meia hora de intervalo contatei meu primeiro organizador, o Thiago Lee.

Achei que ele estaria todo nervoso ajudando os outros e que teria pouco tempo, mas mais uma vez estava errado. Leu meu texto no tempo dele, e me respondeu por áudio, dando-me dicas para refiná-lo. Eu precisava, o texto tinha aproximadamente 8500 caracteres e o padrão de publicação da Andross é 8k. Ah sim, tinha essa. Quem remetesse o texto depois pra uma das antologias pode ganhar um exemplar de uma das outras publicações no final do ano. Mais um checkpoint, porque eu já queria mandar um texto pra Steamfiction mesmo, então uni o útil ao agradável e, com empenho, talvez eu apareça nessa antologia steampunk. Quem leu Engrenagens... Gato Sombrio está de volta!

Mas bem, findo o texto inicial outro surgiu, e mais um... todos meio quebrados, pra dizer a verdade. O segundo ficou aberto na tela do meu note, vez ou outra voltando pra conferir alguma coisa, meio insatisfeito com ele, deixei pra lá. A onda de escrita seguinte produziu basicamente... nada. Pelo menos foi o que pensei. Voltei pro intervalo soltando fogo pelas ventas e já tinha virado a meia-noite. Muito tempo de sobra, relógio correndo. Chamei o Alfer no PVT e perguntei se ele se importava em ler o que tinha bolado até ali, mesmo que não fosse submeter pra antologia depois. Ele, super dedicado, aceitou. E lá se foi o suspense sobrenatural.

Enquanto o Alfer lia algo veio até a minha mente como uma flecha. Uma sequência de palavras, de sensações. Transformei em uma linha. E depois veio um parágrafo. Quando dei por mim já estava no finalzinho do texto e o Alfer respondendo. Ele terminou, fez as considerações, eu expliquei meus pontos e ele me mandou meter bala. Com muito orgulho mandei o quarto texto, de terror puro, para que ele desse uma olhada. Era de lobisomem, imaginei que fosse gostar. Adorou. Então, durante essa etapa seguinte, intercalando desenvolvi dois textos com ele. Alfer, não tenho como te agradecer o suficiente.

Mas ainda não estava satisfeito. Escrevi uns dois parágrafos do que poderia ser um romance, e quando dei por mim havia descambado para a comédia. Ficou horrível, mas um guilty pleasure que eu vou me orgulhar de ter montado na madrugada. Faltava alguma coisa. Revisado completamente o Steam, o Suspense e o Terror, o Romance me chamava. E aí veio a última hora. Cara... que última hora.

Como no caso do lobisomem eu iniciei o texto com uma experiência, optei por esconder na cara do leitor um segredo no meu romance. Falar mais seria entregar o ouro, mas conduzi a narrativa até o final fazendo o possível para agradar os fãs de uma comédia romântica ou de um romancezinho bobo e fofo. E foi o que consegui. Correndo mandei pro Leandro Schulai pra ele avaliar. Adorou. Pena que não vou poder publicar esse também (atualmente não estou em condições e vou ter que escolher uma antologia só), mas... foi muito gratificante.

Fiquei enrolando, deu a hora final. O Edson anunciou o encerramento e lembrou de remetermos os textos. Mandei um email com o Retorno de Gato Sombrio e fiquei trocando de janelas. Li alguns depoimentos e voltei para anexar os outros cinco textos. Bons ou não, todos foram parar nas mãos de Don Rossatto. Agora é com eles.


Se foi bom? Foi ótimo! Fiquei quase sem sono quando acabei e ainda estou na pilha. Escrevo esse relato com muita facilidade. Eu precisava disso, parando para pensar, de reavivar esse meu lado de escritor. Fazer as coisas no impulso, na diversão, querendo produzir para contar histórias. Bom, 2017 acabou de começar... quem sabe eu não termine meu primeiro romance esse ano?

PS: Milhares de beijos, abraços e obrigados à Ann e a Ari que me incentivaram e me acompanharam nessa madruga. Por causa de vocês dois textos foram produzidos com muito amor!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

2016

É engraçado, eu tenho muita dificuldade de lembrar do ano que passou, conseguir mensurar quando começou e quanto tempo passou. Se me dissessem que tivemos 365 dias de 2016, eu provavelmente calcularia por diversos dias que correram e que em algum momento percebi serem espaçados. No geral eu tive um ano muito conturbado e aqui vão alguns porquês:
— Descobri vários motivos para não gostar de algumas pessoas, realmente várias delas mentiram pra mim e isso não foi legal. As pessoas normalmente não pensam nisso mas... eu descubro, gente, eu sou inteligente e sei perceber sinais.
— Também descobri várias coisas sobre mim, o que foi perturbador. É muito chato quando você senta e para pra pensar nas coisas que fez e que ainda faz e que talvez não sejam tão boas. Mais do que em 2015, quando já tinha passado por um rehab, 2016 me golpeou monstruosamente no estômago e por isso peço desculpas a várias pessoas.
— Morreu gente. Não mais do que morre todos os anos, mas eu senti alguns impactos. Pessoas que parei e percebi "Nossa, nunca mais verei..." e nesse sentido tenho perdido algumas pessoas nos últimos anos que... bom... são pessoas próximas. E doeu, como doeu... aliás...
— 2014 foi minha Tia Irma. Em 2015 minha Vó Maria. Eu agora moro na casa que elas moravam, e 2016 foi um ano de provação para ver quanto eu aguentava sem ouvir a voz delas, suas risadas, suas mancadas, o que elas me aconselhavam, mesmo que não fosse tão bom. Acho que só a Ann e mais umas duas pessoas já me viram desmanchar por causa delas... eu virei poeira, basicamente. Poeira quase lama, já que minhas lágrimas correram como rios... eu sei que muita gente sabe como é isso, mas deixem-me ter minha dor particular sim?
— Pra fechar, 2016 também me testou em quanto eu aguento com minha loja. Aqui admitir um mea culpa: eu não tenho formação de Administrador e não faço ideia de como ser um bom gerente. Sou um vendedor, eu me dedico a dar o melhor produto para os meus clientes, fazê-los sorrir, ficarem satisfeitos. Mas não foi o suficiente. 2016 foi um ano em que a política brasileira se jogou como o Anderson Silva no UFC: entrou batendo, achando que tava com tudo e levou MUITA porrada. O resultado é que nossa economia levou um baque tão grande que as pessoas pararam de gastar, e com isso os hobbies, como os que vendo, deram uma baita diminuída. Eu tive que cortar despesas, tive que investir menos. Tive que abrir mão de algumas coisas.
Isso vai mudar em 2017. Tudo isso, mas devagar. Por isso quero só levantar 3 coisas de 2016 que vou levar pra este ano pra fazer isso girar:
— Eu fui honesto, honesto de verdade com a Ann. Contei pra ela coisas que estavam no meu coração me machucando, e sei que a machucaram também. Abri tudo que podia pra que ela me entendesse e percebi como amo essa mulher. Isso não é da boca pra fora. É algo gigante, que não posso medir. Por mais que brinque com isso.
— Eu aprendi uma palavra realmente importante: Empatia. Você não gosta de algo que alguém te faz? Diga. Ouviu que alguém tá incomodado? Obedeça. Não acredita em algo ou acha que é besteira? Respeite. Tem uma opinião para dar, mas ela pode machucar? Tenha paciência. Eu mesmo sou bem grosseiro de vez em quando e ditador, mas quero ouvir mais, ensinar mais, aprender mais.
— Finalmente, quero que as pessoas se amem. Mesmo que nem sempre seja bom pra mim, quero que elas encontrem a felicidade. E nesse sentido vou me esforçar pelo amor alheio. Quero anos que venham com muita paixão, muita tranquilidade, muita... união.
Quero fazer do meu mundo melhor. Conto com vocês.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Eu sou um com a força...

Era um corredor longo, escuro, com baixa luminosidade vindo das raras lâmpadas dispostas ao redor. Eu podia ouvi-lo, respirando pesadamente, aquele som mecânico de um dispositivo que o permitia sobreviver. E ainda assim ele era a criatura mais perigosa na nave, estava chegando perto e tudo que eu podia pensar era em correr e me esconder. Nenhuma das portas se abria, nenhuma delas me oferecia salvação. Foi então que, para minha surpresa, o corredor acabou e eu estava diante de um abismo. Ele, cada vez mais próximo, e meu fim também.
— Não tenha medo. — uma voz me disse ao meu lado e eu me virei para vê-la — O medo te leva à raiva e a raiva ao ódio. Se você odiar, ele terá vencido.
Não entendi bem o conselho daquela moça (ou seria senhora?) em um vestido branco e com o cabelo preso em um penteado tão diferente, mas vi em seu olhar a força, e compreensão disso, necessárias para atravessar o precipício. Agarrei o cabo que estava ali para me lançar ao outro lado e quando me virei para pegá-la, e talvez atravessar com ela, onde estava? Havia sumido? Mas a respiração se tornou mais forte.
Fui capaz de me jogar por entre tiros de laser vindos de soldados mascarados e senti o frio na espinha ao ver a silhueta de meu perseguidor na plataforma que havia deixado. Lancei-me por outro corredor e o cenário mudou. Agora podia ver, pelas janelas, as nuvens ao redor, e cheguei a uma sala ainda mais sombria, e a única luz avermelhada vinha do maquinário central, um tipo de forno gigantesco que trabalhava com líquidos especiais de resfriamento rápido. A respiração voltou e eu tremi diante da chance de ele ser realmente implacável e quiçá onipresente. Mais uma vez ela surgiu, com seu colete e a pistola na mão e piscou para mim.
— Há esperança mesmo nos momentos mais sombrios, meu querido. Vá, eu os seguro aqui. Nós nos veremos de novo, muitas e muitas vezes.
Sem ter como retrucar, eu corri de novo e senti a súbita mudança de temperatura. Estava muito quente e agora areia entrava por baixo das frestas. Uma música como jazz tocava ao fundo e eu ouvi o movimento antes de ver o monte de gosma com olhos que parecia querer me devorar. Tremi nas pernas e ela veio, como uma guerreira, trazendo na cintura seu blaster e nas mãos a espada energética com a qual o golpeou. Podia estar de biquíni metálico ou a armadura típica de caçadores de recompensas, mas nada disso importava. Sua expressão era absoluta, ela não seria derrotada.
— Você pode fazer qualquer coisa, não importa quem seja. Desde que acredite nisso. Todos tem chance de redenção.
Uma porta nova se abriu e segui por ela, ouvindo aos fundos os gritos, tanto os de vitória quanto os de dor. Eu temi por ela, mas quando cheguei à última sala ela já estava lá, de pé, e seu rosto era sereno. Tive certeza de que não teria feito nada sem ela ali, para me ajudar, para me direcionar. Atrás dela surgiu o homem de armadura negra e por um instante pensei que tudo estaria acabado, mas ele tocou no ombro dela e respirou fundo mais uma vez, não como o monstro, mas como um ser humano, um pai que está prestes a falar algo para sua filha.
— Está na hora. — veio a voz poderosa.
— Eu sei. — ela respondeu e eu achei que ela estaria chorando, mas ela ainda me deu um último olhar cálido e disse, com ternura — Fique em paz. Que a Força esteja com você.
E entrou na luz.

Adeus, Carrie Fisher.